A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR/JOGAR NA INFÂNCIA

 Sabe-se hoje que esse universo do brincar/jogar está cada vez mais restrito, pois crianças recebem seus brinquedos prontos como computadores e celulares, interagindo assim, com um mundo totalmente virtual. Mas afinal, por que de fato, é importante para a criança brincar?

O brincar/jogar cria a chamada zona de desenvolvimento proximal,impulsionando a criança para além do estágio de desenvolvimento que ela já atingiu (Vygotsky- 1989). Ao brincar, a criança se apresenta além do esperado para a sua idade e mudando muitas vezes seu comportamento habitual. Vygotsky ressalta que no brincar/jogar, a criança também se libera das limitações do mundo real, permitindo assim, que crie situações imaginárias, sendo ao mesmo tempo uma ação simbólica e social e que depende das expectativas e convenções presentes na cultura. Quando duas ou mais crianças brincam/jogam, elas ensaiam para o mundo adulto, fazendo com que achem soluções reais, não só para o momento que vivem, mas para obstáculos futuros. O brinquedo entre pares possui maior variedade de estratégias de improviso, envolve mais negociações e é mais criativo (Sawyer, 1997). Ao brincar/jogar as crianças aprendem sobre a cultura em que vivem ao mesmo tempo em que traz novidades para a brincadeira e ressignifica esses elementos culturais. Aprendem também, a negociar e a compartilhar objetos.
O brincar/jogar também possibilita que a criança tome distância daquilo que a faz sofrer, possibilitando desta forma explorar, reviver e elaborar situações que muitas vezes são difíceis de enfrentar. Freud (1908) e Melanie Klein (1932, 1955), ressaltam a importância do brincar como um meio de expressão da criança, contexto no qual ela elabora seus conflitos e demonstra seus sentimentos, ansiedades desejos e fantasias.
 Winnicott (1975),fez referência à dimensão de criação presente no brincar. Segundo Winnicott, é mais importante o uso que se faz de um objeto e o tipo de relação que se estabelece com ele do que propriamente o objeto usado. A ênfase está no significado da experiência para a criança. Brincando, ela aprende a transformar e a usar os objetos, ao mesmo tempo em que os investe e os “colore” conforme sua subjetividade e suas fantasias.
As brincadeiras/jogos que preparam as crianças para o mundo adulto, também ajudam a desenvolver áreas do cérebro, como por exemplo, lobo frontal, responsável pela atenção e concentração, estratégias, inteligência emocional, análise das consequências futuras, desenvolvimento motor isso só é possível, quando a criança se depara com algo que lhe pareça difícil. Desta forma, percebe-se como o brincar/jogar é algo essencial para o desenvolvimento infantil. Uma criança que não consegue brincar/jogar deve ser objeto de preocupação. Disponibilizar espaço e tempo para brincadeiras, portanto, significa contribuir para um desenvolvimento saudável. "É no brincar, e talvez apenas no brincar, que a criança ou o adulto fruem na sua liberdade de criação", e "é no brincar, e somente no brincar, que o indivíduo, criança ou adulto, pode ser criativo e utilizar sua personalidade integral: e é somente sendo criativo que o indivíduo descobre o eu (self)" (Winnicott, 1971/1975: 79-80).
ALINE LEMOS PSICÓLOGA PSICOPEDAGOGA  E MEDIADORA DE PEI
CRP 57395-8