Mordida na escola: uma polêmica que não é brincadeira

É preciso compreender que, para meninas e meninos com idades entre 1 e 3 anos, a mordida não é um ato intencional, pois eles não têm noção de que o que fazem causa dor a outra pessoa. Mas é comum tomar a mordida como um ato agressivo, porque a criança não tem controle da sua força e acaba machucando o outro".
 
Observamos que se trata de uma fase, com começo e fim, como tudo na vida. Por isso, não é necessário que professores, gestores e pais se desesperem, mas é importante ter muita atenção e sensibilidade. Em torno dos 30 meses de idade, a mordida é um dos principais recursos usados pela criança para conhecer o mundo que rodeia e se comunicar com ele. "A criança leva tudo que está ao seu alcance à boca, inclusive o seu colega. Morder faz parte da vida das crianças e cabe aos adultos ajudá-las a compreender que esse é um comportamento não aceito socialmente e que há outras formas de se comunicar". Essa atitude diminui gradativamente, à medida que a criança avança na aquisição da linguagem oral. "Ou seja, a ação passa a ser substituída pela palavra."
 
Por que as crianças mordem?
  • Para aliviar o incomodo da gengiva no período de nascimento dos dentes;
  • Frustrações causadas pelo sono, fome, medo ou até hiperatividade;
  • Disputa por brinquedos;
  • Reflexo de brincadeiras entre pais e adultos;
  • Mudança do berço para cama ou de moradia;
  • Nascimento de um irmãozinho
  • Troca de babá; 
  • Conflito entre os irmãos mais velhos.
Recomendações
  • Mostre à criança o que ela pode morder: uma maçã, um biscoito, o mordedor, jamais pessoas;
  • Peça que a criança que mordeu ajude a passar uma pomadinha e fazer carinho no colega mordido;
  • Ajude a criança que morder a entender o que seu comportamento tem feito sobre os outros;
  • Acalme a criança mordida, demonstrando proteção;
  • Não rotule a criança, porque o estigma pode se tornar uma profecia auto- realizadora: a criança cria a auto-imagem e a mantém;
  • Preserve a identidade do aluno que morde, para evitar a rejeição e discriminação;
  • Não supervalorize a mordida. Corrija o aluno e passe para outra atividade;
  • Mantenha um grau de receptividade carinhosa que proporcione confiança a criança; evite a imagem de superioridade;
  • Aprimore sua equipe técnica e lembre-se: crianças precisam estar ocupadas;
  • Estimule atitudes corretas e não supervalorize os erros;
  • Entenda o porquê de determinada criança estar mordendo.
  • "Não se trata de isolamento, pois essa jamais seria a solução para o problema. Trata-se de um pequeno distanciamento físico entre eles, o que dará tempo de a professora intervir, ajudando-os a usar o diálogo em cada situação."
Fontes: Ângela de Souza, psicóloga especializada em psicologia escolar e Adriana Torres. Gestão Educacional Outubro/2010 Ano 06/n.65

(Imagem: http://www.nurturingachild.com)